Leveza, minimalismo e acolhimento são predicados constantes no trabalho da arquiteta Mariana Maisonnave. Na sua sexta participação na CASACOR/SC, primeira em Balneário Camboriú, a arquiteta apresenta o ambiente “Âmago”.
Concebida para desacelerar o olhar e reconectar o visitante ao essencial, a “Casa ÂMAGO” integra living, dormitório e sala de banho em uma composição fluida e acolhedora. O espaço de 90 m² propõe uma experiência pautada pelo bem-estar, pela valorização dos materiais naturais e pela criação de vínculos mais profundos entre as pessoas e os ambientes que habitam.
Inspirado pelo tema da CASACOR Santa Catarina 2026, “Mente e Coração”, o ambiente traduz a busca por equilíbrio por meio de uma arquitetura que privilegia a presença, a contemplação e a proximidade com a natureza. Luz natural, iluminação indireta, pedra, madeira, algodão e linho compõem uma atmosfera serena, na qual cada elemento foi pensado para estimular uma relação mais consciente com o espaço e com o tempo.
Em sua sexta participação na mostra catarinense, a arquiteta Mariana Maisonnave apresenta uma síntese da linguagem que vem consolidando ao longo de sua trajetória, marcada pelo minimalismo natural, pela sensibilidade material e pela criação de ambientes capazes de acolher emocionalmente seus usuários.
A biofilia se manifesta como um dos principais pilares do projeto. A presença abundante de vegetação, a valorização da iluminação natural e a integração entre materiais orgânicos e elementos arquitetônicos estabelecem uma relação genuína com a natureza, despertando sensações de acolhimento, equilíbrio e pertencimento.
A sustentabilidade é abordada de forma ampla, associada à escolha criteriosa de materiais e a uma arquitetura pensada para ser durável, relevante e significativa ao longo do tempo. O ambiente prioriza materiais naturais, soluções de baixo consumo energético e estratégias que potencializam a entrada de luz natural. A base do lavatório, produzida a partir de um tronco encontrado na natureza, reforça o olhar atento para o reaproveitamento e para a valorização dos recursos existentes.
Essa reflexão ganha expressão na coleção Vestígios, desenvolvida pelo escritório especialmente para a mostra. A estante e as mesas de centro foram produzidas a partir dos resíduos da pedra egípcia utilizada no revestimento das paredes do living, transformando um material que seria descartado em peças autorais carregadas de memória, identidade e propósito. As peças representam uma abordagem que enxerga valor nos processos de reaproveitamento e na criação de objetos com significado.
A curadoria do mobiliário complementa essa narrativa ao reunir peças que valorizam o design autoral e a relação com a natureza. Entre os destaques estão a consagrada poltronas Flag, com design escandinavo de Hans Wegner, e do lançamento Guamá, design brasileiro assinado pelo Rafael Oliva, inspirada nas riquezas naturais da Amazônia, traduzindo a força da madeira em um desenho elegante e atemporal, produzida em madeira maciça proveniente de manejo sustentável.
De mobiliário catarinense, o novo sofá apresentado pela Reveev, peça autoral. O ambiente também reúne a cama assinada por Bruno Faucz, para Reveev, a poltrona Nonna, de Roberta Banqueri, e a bancada esculpida em tronco de árvore da Residual.
A seleção de obras de arte amplia a dimensão sensorial do espaço. Entre os destaques está a obra Paisagem – Costa da Lagoa (1999), de Paulo Gaiad, a obra que esteve até então no Museu de Arte de Santa Catarina, foi gentilmente cedida pelos proprietários para compor o ambiente. Reconhecido por sua investigação sobre paisagem e memória, o artista estabelece um diálogo direto com os conceitos presentes no projeto.
Também integram a composição quatro trabalhos da série Cura, da artista catarinense Camila Saavedra, cujas composições em branco e texturas sutis abordam processos de renovação emocional e dialogam com a atmosfera introspectiva do espaço. A seleção artística é complementada por uma gravura adquirida pela arquiteta em uma feira de arte na Itália, retratando a paisagem do Lago di Como e reforçando o caráter contemplativo do ambiente.
Ano: 2026
Fotos: Cristiano Bauce